Tuesday, October 14, 2008
o preço
Quando virei costas e voltei a olhar para a tela que levava na mão, não sei em verdade se o meu esgar foi de tristeza ou de surpresa: o meu Taj-Mahal em desenhos não passava agora de um rabisco ridiculo que os dias e a raiva rapidamente tratariam de destruir.
Thursday, October 2, 2008
o vazio
Se um dia acabarmos com os carros, o que é que vamos fazer às pontes gigantescas, às auto-estradas?

Monday, September 29, 2008
Wednesday, September 17, 2008
intempérie é sempre uma palavra escondida
A Luz morreu num fim-de-tarde de Verão.
O Mundo não caiu numa noite perpétua, as árvores não ficaram esculturas de gelo. Tudo ficou exactamente igual.
Levaram-na a enterrar numa cerimónia de silêncio. Para fazer soar as três salvas usaram-se espingardas mudas, e só estiveram presentes a família e alguns amigos chegados. O caixão era forrado a espelhos, e mesmo depois de tapado com terra, ninguém podia olhar para o chão mais de dez segundos sem que lhe doessem os olhos.
Muito mais tarde, era já Inverno, um par de mãos escavou um buraco na areia de uma praia.
O Mar rugia, o vento atravessava a carne e cortava-a de frio.
A 50 cms de profundidade, as mãos pararam com o toque de um calor perdido.
Era afinal ali, debaixo dos pés de todos, que os dias de Sol se escondiam das nuvens.
Thursday, September 11, 2008
eu não assinalo efemérides
Não.
Nunca saberia guardar efemérides. Elas falam demasiado de si, são demasiado imediatas.
Isto é outra coisa.
E agora calo-me devagar.
Tuesday, September 9, 2008
8
Ficaste presa no monstro, o monstro de milhões de mãos. Ele teve tempo suficiente, anos para te desfazer, em pedaços tão pequenos até deixares de existir.
Cada mão guardou o seu pedaço de ti, mas nenhuma delas sabe como o usar, nem para que serve.
Tal como há escalas de terramotos e de tempestades, também há uma para desaparecimentos. Os que derrubam paredes, os que fazem oscilar suavemente o candeeiro da sala, os que são praticamente imperceptíveis; os que se curam e os doentes terminais da invisibilidade. As pessoas podem desaparecer, num enorme e magnifico número de magia cruel.
É uma linha de terra que pode ser atravessada sem que os olhos toquem nos sonhos. No fim, mesmo no fim, derrete-se em bifurcações, tantas que nunca ninguém as poderá vasculhar todas.
Todas as crenças têm os seus gestos. É assim que os fiéis de algo se identificam entre si.
Que ainda acredites.
Põe a tua música.
A caneta acaba assim de dançar a sua última dança com os olhos postos em ti.
Foi esta que ficou por dançar.
Cada mão guardou o seu pedaço de ti, mas nenhuma delas sabe como o usar, nem para que serve.
Tal como há escalas de terramotos e de tempestades, também há uma para desaparecimentos. Os que derrubam paredes, os que fazem oscilar suavemente o candeeiro da sala, os que são praticamente imperceptíveis; os que se curam e os doentes terminais da invisibilidade. As pessoas podem desaparecer, num enorme e magnifico número de magia cruel.
É uma linha de terra que pode ser atravessada sem que os olhos toquem nos sonhos. No fim, mesmo no fim, derrete-se em bifurcações, tantas que nunca ninguém as poderá vasculhar todas.
Todas as crenças têm os seus gestos. É assim que os fiéis de algo se identificam entre si.
Que ainda acredites.
Põe a tua música.
A caneta acaba assim de dançar a sua última dança com os olhos postos em ti.
Foi esta que ficou por dançar.
"...inventa un buen final, un final que no nos deje asi..."
(inscrição na parede de um bar em Madrid)
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