Monday, July 28, 2008

palavras de outro

"
Armadura - género de roupa usada por um homem cujo alfaite é ferreiro
Chato - uma pessoa que fala, quando queríamos que ouvisse
Duas vezes - uma vez a mais
Erudição - o pó que se sacode de um livro para dentro de um crânio vazio
Fidelidade - Uma virtude peculiar daqueles que estão prestes a ser traídos
Indicador - o dedo que vulgarmente é usado para acusar dois malfeitores
Litígio - máquina em que entramos como um porco e saímos como uma salsicha
Oração - Solicitação para que as leis do Universo sejam suprimidas em beneficio de apenas um peticionário, claramente não merecedor
Pintura - A arte de proteger superficies planas do clima e expô-las à critica
"

Retirado de "The Demon's Dctionary" de Ambrose Pierce (1842 - 1914), citado na "Miscelânea Original de Schott", de Ben Schott.

Friday, July 25, 2008

Tabacaria Fumo


O autocolante vermelho confirma:
A Tabacaria Fumo é uma zona de não-fumadores.

Catadupa II

For rational consumers:
No cheaper style
Than Freestyle

Homenagem
Ao Homem quase sem barba,
ele é o elo quase perdido para o que há-de vir.

Tragédia Hollywoodesca
Ao chegar a casa, o meu pé morreu-me nas mãos.

Thursday, July 17, 2008

magia materialista na linha suburbana

A Pessoa X e a Pessoa Y partilham uma carruagem de comboio. Por mero acaso.
A Pessoa X sai na 3ª estação.
A Pessoa Y sai mais adiante, na 6ª.
Foi assim que, sem se aperceberem, ambas desapareceram exactamente ao mesmo tempo.

o ladrão de melodias (apocalipse outra vez)

O som da água é o do plástico das garrafas a estalar para voltar à forma moldada.

Tuesday, July 8, 2008

diz... diz lá...

Estou farto de estátuas

Friday, June 27, 2008

se não acreditas em gestos




Wednesday, June 25, 2008

aposto

O último bastião da Poesia a cair vai ser o verso da embalagem.

Wednesday, June 11, 2008

lost in translation - uma pequena história de Amor.

Um dia, uma truta de Viseu apaixonou-se por um lavagante inglês.
Ela falava o idioma dele, mas tinha o problema da pronúncia do interior. Ele não falava nada de Português.
Separados pela barreira da lingua, a relação não durou muito tempo: de cada vez que ela lhe queria chamar "Marisco" ele percebia "Egoísta".
Ele cansou-se.
Ela também.

Monday, June 9, 2008

O Braço

Num precipicio, numa terra perdida, há uma árvore gigantesca que paira no ar. Tem um ser que a segura, um bicho que não o é. O ser tem côr de leite, e forma de braço, um punho fechado sem dedos.
Na aldeia que sempre esteve junto do precipio conta-se que, há muitos anos, havia no topo uma gigantesca árvore que um dia decidiu atirar-se. Arrastou-se nos ramos velhos e quebradiços e caiu, como caem as coisas que se atiram.
Durante a queda, uma das sementes da velha árvore gritou de pânico, porque no entender dela não se morre assim, pequena mais do que pequena, semente.
E teria sido a própria terra a apiedar-se da semente, e a fazer crescer um pequeno dedo, apenas o suficiente para a semente se equilibrar.
Com a semente desligada da Terra, cabia ao Braço, então ainda Dedo (ou apenas Falange, Falanginha ou Falangeta) alimentá-la de tudo o que precisava.
Ao longo dos séculos cientistas estudaram o estranho Braço, hoje monstruoso que suporta uma árvore milenar de raizes no ar. Não se sabe o que come, o que bebe, como respira, se sintetiza, se fala. Mistério ainda maior é a árvore que cresce com as raízes a balançar no vazio.