Friday, July 25, 2008

Catadupa II

For rational consumers:
No cheaper style
Than Freestyle

Homenagem
Ao Homem quase sem barba,
ele é o elo quase perdido para o que há-de vir.

Tragédia Hollywoodesca
Ao chegar a casa, o meu pé morreu-me nas mãos.

Thursday, July 17, 2008

magia materialista na linha suburbana

A Pessoa X e a Pessoa Y partilham uma carruagem de comboio. Por mero acaso.
A Pessoa X sai na 3ª estação.
A Pessoa Y sai mais adiante, na 6ª.
Foi assim que, sem se aperceberem, ambas desapareceram exactamente ao mesmo tempo.

o ladrão de melodias (apocalipse outra vez)

O som da água é o do plástico das garrafas a estalar para voltar à forma moldada.

Tuesday, July 8, 2008

diz... diz lá...

Estou farto de estátuas

Friday, June 27, 2008

se não acreditas em gestos




Wednesday, June 25, 2008

aposto

O último bastião da Poesia a cair vai ser o verso da embalagem.

Wednesday, June 11, 2008

lost in translation - uma pequena história de Amor.

Um dia, uma truta de Viseu apaixonou-se por um lavagante inglês.
Ela falava o idioma dele, mas tinha o problema da pronúncia do interior. Ele não falava nada de Português.
Separados pela barreira da lingua, a relação não durou muito tempo: de cada vez que ela lhe queria chamar "Marisco" ele percebia "Egoísta".
Ele cansou-se.
Ela também.

Monday, June 9, 2008

O Braço

Num precipicio, numa terra perdida, há uma árvore gigantesca que paira no ar. Tem um ser que a segura, um bicho que não o é. O ser tem côr de leite, e forma de braço, um punho fechado sem dedos.
Na aldeia que sempre esteve junto do precipio conta-se que, há muitos anos, havia no topo uma gigantesca árvore que um dia decidiu atirar-se. Arrastou-se nos ramos velhos e quebradiços e caiu, como caem as coisas que se atiram.
Durante a queda, uma das sementes da velha árvore gritou de pânico, porque no entender dela não se morre assim, pequena mais do que pequena, semente.
E teria sido a própria terra a apiedar-se da semente, e a fazer crescer um pequeno dedo, apenas o suficiente para a semente se equilibrar.
Com a semente desligada da Terra, cabia ao Braço, então ainda Dedo (ou apenas Falange, Falanginha ou Falangeta) alimentá-la de tudo o que precisava.
Ao longo dos séculos cientistas estudaram o estranho Braço, hoje monstruoso que suporta uma árvore milenar de raizes no ar. Não se sabe o que come, o que bebe, como respira, se sintetiza, se fala. Mistério ainda maior é a árvore que cresce com as raízes a balançar no vazio.

Monday, June 2, 2008

Nostalgia

Apercebeu-se que, quanto mais crescia, mais pequenos lhe pareciam os prédios.
Por isso foi para Nova Iorque, ser criança outra vez.

Wednesday, May 28, 2008

Walk the ball (estimação)



Quero algo fresco, acabadinho de sair da cova.