Saturday, October 20, 2007

Limpeza

"...os esqueletos que vocês têm confortavelmente guardados nos armários ainda hão-de entupir os esgotos da vossa linda cidade."

Sabão

Call Center.

"«Eu próprio tenho muitas dúvidas que não tenha telefones sob escuta. Como é que eu vou lidar com isso? Não sei. Como vou controlar isto? Não sei. Penso que tenho um telefone sob escuta. Às vezes, faz uns barulhos esquisitos», afirmou Pinto Monteiro."

O que o Procurador-Geral da Républica omitiu ao Semanário Sol foi a forma como descobriu estes "barulhos esquisitos". Ao que parece, recebeu na tarde de ontem um telefonema da parte do Apoio ao Cliente do SIS, dando-lhe conta destas anomalias. O responsável pelo acompanhamento permanente e personalizado deste telefone, um sargento anónimo, aproveitou para informar o alto dignatário de que "será enviado um técnico durante a tarde de Domingo para proceder aos ajustes necessários no aparelho, ou à substituição do mesmo, em caso de necessidade".

Thursday, October 18, 2007

A máquina.

O dia chegará, em que uma pessoa que perca um botão, perderá também uma faculdade motora qualquer.
Por exemplo: se cair um botão do casaco à senhora X, ela será incapaz de bater palmas até chegar a casa e o coser novamente.

Podia ser verdade.

Na sua versão original, a letra do "Atirei o pau ao gato" não previa a repetição da última sílaba de alguns versos ("atirei o pau ao gato-to, mas o gato-to, não morreu-eu-eu..").
Esta repetição, que toda a gente faz como se estivesse na letra, explica-se por um motivo muito simples:

A primeira gravação desta música popular, foi feita em directo para um programa de rádio nos anos '30, por um grupo de cantares de uma pequena aldeia da Beira Alta. A performance teve lugar no salão de festas da aldeia, onde as condições acústicas não eram as ideais. Daí resultou um eco nalgumas partes da canção.

Assim, o "Atirei o pau ao gato" que todos cantamos hoje, mais não é do que o resultado de um erro de captação.

Só para acabar com o assunto...

E na última página, lá estava ele,

"Your moment of Zen..."


Wednesday, October 17, 2007

Viagem a 1969.

Sempre tive uma relação dificil com o Tintim. O homem sempre me pareceu digno de embirração. Aquele ar de gajo que é incapaz de pedir sequer um copo-de-água ao balcão, e que fica com os créditos todos por resolver "mistérios" de forma invariavelmente fortuíta. Pelo meio costuma haver uma situação potencialmente mortal para ele, em que é salvo por Milou, o cão que toda a gente acha que é uma cadela, e se calhar têm razão.

Ok, talvez as coisas não sejam exactamente assim. Mas eu disse que embirrava com o Tintim.

No entanto, se o vir na rua, até lhe dou uma palmadinha nas costas.


Nos anos '60 e '70 publicou-se em Portugal a Revista Tintim. "A revista dos jovens dos 7 aos 77 anos", juntava algumas histórias de BD de vários autores, à razão de duas páginas por semana para cada história.



Este é o número 19, de 4 de Outubro de 1969, e custava na altura 5$00. Está já devidamente assassinado a golpes de caneta, naturalmente. Incluia os seguintes:
"Strapontam contra Aranhex", "Astérix - O Combate dos Chefes","Taka Takata" ,"O Incrível Désiré","Achille Talon","Cubitus","Lucky Luke - Pedro Cucaracha e os Pés-Azuis","Michel Vaillant - Rallye em Portugal" e (claro) "Tintim no Tibet".






Para além das histórias (e isto é que interessa) havia também passatempos e uma parte de correio do leitor intitulada "Tu escreves... Tintim responde."


O que realmente me cativa aqui é a inocência transbordante. Talvez ainda fruto do lápis-azul, as cartas parecem todas escritas por miúdos de calções amarelos e joelhos esfolados. Por exemplo, o trecho transcrito agradece o osso (!!) que o leitor enviou ao Milou... numa carta mais adiante, responde-se a um Zeca e termina-se assim: "como são vários os Zecas que me têm escrito ultimamente, referencio que neste caso, trata-se do morador da Rua Visconde de Santarém" - hoje em dia já ninguém se pode chamar Zeca e dizer onde mora; e há quarenta anos atrás já havia o problema das traduções, com um autodenominado "Tintinzão de 30 anos" (mais parece nick do MIRC) a queixar-se da diferença entre o título em Português da história do Lucky Luke e o título original "Alerte aux Pieds bleus".
A personagem Tintim responde na primeira pessoa, o que até funciona bem. Lembro-me que em miúdo acreditava que era realmente o Tintim a responder às coisas, e que interpretava o desenho mais como uma fotografia do que outra coisa ("que giro... o cão lambe cartas").

A estreia de uma nova BD na revista - "Os Franval - Caçadores sem armas" merecia também destaque. Os primeiros esboços de uma consciência ecológica surgiam com a história de uma família que luta em África para acabar com a caça. Pelo meio há o cenário do Pós-II Guerra Mundial e os necessários Alemães como maus-da-fita, nesta fase da história ainda escondidos.

Mas isto levanta-me uma questão: passam a história toda a mandar vir com os Alemães, com o mito da raça ariana, etc... mas depois as crianças da familia são todas loirinhas de olhos azuis.


E já agora... tem um belo chapéu Sr. Franval. Essa pele de leopardo realça-lhe os olhos e os seus ideais ecológicos.

Monday, October 15, 2007

Facto e questão.

Facto:
As retrosarias são estabelecimentos frequentados na sua larga maioría por pessoas de idade.

O que me leva a perguntar: se as retrosarias são frequentadas por pessoas de idade, afinal o nome faz mais sentido relativamente aos produtos que se vendem lá, ou às pessoas que os compram?

Sunday, October 14, 2007

Trabalho.

Tinha sido o primo a aconselhar-lhe aquele trabalho. Um amigo também o tinha feito e até o meteram logo na Alemanha. A coisa fôra de tal maneira que nunca mais ninguém lhe tinha posto a vista em cima. Mais tarde o supervisor diria que o tinha visto com uma alemã loura a desaparecer numa carrinha descapotável.
Assim disseram ao primo. Assim o primo lhe disse a ele. Por isso candidatou-se.
Desconfiou quando o aceitaram logo:
- Apareça amanhã. Começamos já com a formação. – dissera-lhe a entrevistadora com um sorriso. – O nosso dress-code é branco.
“Branco?..”, pensara.
No dia seguinte lá foi, vestido de branco. Foi recebido pelo chefe do departamento que o convidou para o pequeno-almoço.
Depois, tudo o que se lembra é de já estar lá dentro. Lá, no plástico.
Percebeu logo que ia ficar lá muito tempo. Aconchegou-se. Passou muito e muito tempo no escuro…
A luz, o voo, a queda…
Sentiu a água envolvê-lo. A dor nem chegou a mordê-lo. Não lhe entrou na cabeça. Consumiu-o imediatamente.
Enquanto se sentia efervescer no copo, pensou no primo, no amigo do primo, na alemã loura e na carrinha descapotável.
Sempre fora um Alka-Seltzer honesto.
Se não fosse morrer ali naquele momento, no dia seguinte não apareceria no trabalho de branco. Iria de amarelo, como o primo, que é suplemento de vitamina C.

Monday, September 17, 2007

As melhores fugas de sempre em Portugal.

No primeiro dia útil desde a entrada em vigor do Novo Código Penal, a suposta lista de criminosos que podiam vir para as ruas marcou a Actualidade. Por todo o lado era o pânico, e os mais sensacionalistas esfregaram as mãos.

No entanto, a RTP esteve em grande:
Decidiu ignorar o assunto e falou da transladação do corpo de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional. E que grande marco da vida do escritor decidiram realçar?
A sua fuga à prisão em 1928, com uma serra escondida numa bôla e um charuto de oferta para o guarda.

Foi bom, mas tive pena do Álvaro Cunhal: afinal, no ano de 1960, ele fugiu da Prisão de Peniche utilizando como veículo de fuga o carro do Salazar.

Falecido em 1963, Aquilino terá assim visto o seu record da melhor fuga de sempre ser batido.

Monday, September 10, 2007

Casal McCann processado.

O Seguro privado de Saúde e Assistência Médica Médis vai processar o casal McCann. A razão é a semelhança fonética entre o nome do serviço e o da criança desaparecida, que no entanto, os responsáveis da marca deixam fora da questão...

O casal inglês defende-se: "seria como se uma publicação semanal decidisse processar todas as Marias do vosso país..."

Já agora:

"Querida Maria,

Ando a escrever posts de gosto discutivel no meu blog. Estarei grávido?"