Monday, September 17, 2007
As melhores fugas de sempre em Portugal.
No entanto, a RTP esteve em grande:
Decidiu ignorar o assunto e falou da transladação do corpo de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional. E que grande marco da vida do escritor decidiram realçar?
A sua fuga à prisão em 1928, com uma serra escondida numa bôla e um charuto de oferta para o guarda.
Foi bom, mas tive pena do Álvaro Cunhal: afinal, no ano de 1960, ele fugiu da Prisão de Peniche utilizando como veículo de fuga o carro do Salazar.
Falecido em 1963, Aquilino terá assim visto o seu record da melhor fuga de sempre ser batido.
Monday, September 10, 2007
Casal McCann processado.
O casal inglês defende-se: "seria como se uma publicação semanal decidisse processar todas as Marias do vosso país..."
Já agora:
"Querida Maria,
Ando a escrever posts de gosto discutivel no meu blog. Estarei grávido?"
Tuesday, September 4, 2007
Olhar.

Um homem cujo cérebro não consegue colocar no seu devido lugar os conteúdos do Mar, do Céu e da Terra, leu as 20.000 léguas submarinas em jovem e imaginou o Nautilus a navegar por entre planetas, vê aviões a brotar do chão e aldeias a adivinharem-se nas nuvens de uma tarde de Outono.
Será também um homem com muitos sonhos. De entre eles, o mais importante, aquele que o move na vida e que o faz superar-se, é ser o primeiro humano a chegar a Marte. Não percebe como nunca ninguém o fez… afinal, longe dos grandes projectos a dezenas de anos e de toda a ciência necessária, basta saber furar as ondas de qualquer praia e ter vontade de nadar até às estrelas.
Monday, September 3, 2007
Fonte de Saber.
Sem mais, apresento-vos uma útil ferramenta para o dia-a-dia:
http://www.portoxxi.com/entretenimento/curiosidades.php?pagina=2&tipo=Estatisticas
Com os melhores cumprimentos,
Jota
Wednesday, August 1, 2007
O fato.

"...foi então que decidi vestir o meu melhor fato. Aproximei-me do armário. Lá estava ele, por enquanto ainda a cheirar mais a naftalina do que a traças. O ar sério que guardo sempre escondido, que visto com o mesmo desconforto com que uso uma gravata num jantar formal."
Sabão
Wednesday, July 25, 2007
Desafio à lógica instituida.
Duas pessoas chegam a uma tasca onde se fazem meias-doses. Cada uma delas pede uma dose de febras.
- Lamento, mas já só temos uma de febras - diz o empregado, encolhendo os ombros.
Um dos clientes sorri:
- Faça assim: se dividir a dose ao meio, terá duas meias. Nós também não estamos com muita fome...
- Os senhores desculpem... - começa o patrão, preparando-se para uma afirmação fantástica - mas duas meias não são uma.
Este pequeno relato prova duas coisas:
- Que se pode escrever um conto baseado nas palavras "febras" e "tasca".
- Que, perante a veracidade da afirmação do patrão, as leis da Física deveriam ser revistas à luz da típica tasca lisboeta.

Tuesday, July 24, 2007
Eu quero ser redactor de destacáveis!
Com uma letra diminuta, o cartão versava sobre o Mundo maravilhoso ao qual acediam todos aqueles que, num momento de brilhantismo, assinavam a dita revista.
Há sempre algo que os meus olhos buscam nestes momentos: as ofertas.
A "Visão" ofereceu durante muito tempo, com a sua assinatura, uma agenda de bolso, tipo calculadora-com-mais-botões. Eu, que nem adolescente era, achava aquilo o máximo.
Um dia, não sei porquê, apareceu-me uma coisa dessas lá em casa. Sem pilha (ela) e sem vida pessoal (eu), o objecto caiu primeiro em desuso e depois em desgraça até ao esquecimento.
Excitante é o texto que oficializa o momento da assinatura:
"SIM, desejo receber em minha casa a assinatura da revista X, válida para doze meses. Não enviarei todo o dinheiro agora, porque tenho a possibilidade de pagar em em suaves prestações. Receberei também a colecção "Civilização Egipcia" e como oferta, o meu busto de Tutankamon, em verdadeiro plástico Chinês."
Fora o plástico chinês, tudo o resto está próximo da realidade. Aliás, este é um texto que pouco varia ao longo dos anos, com as escassas alterações a serem devidas ao "stock limitado" da dita "oferta".O hipnotismo destes textos é incrivel. Em vez de um "Sim" como resposta à pergunta "Deseja assinar a revista?", estes génios põem toda uma frase (enorme) de louvor à publicação e seus apêndices.
Mais adequada seria talvez:
"SIM, desejo assinar a vossa revista. Como não tenho outro remédio, enviem-me também a merda da colecção sem qualquer rigor cientifico que vocês oferecem com essa porra. Aproveitarei a colecção para encher as prateleiras vazias da minha sala e assim ficar com uma casa tão pedante quanto eu. Mas bom mesmo seria se enfiassem a "reliquia" por onde o Sol não brilha."
Talvez por isso não seja eu a escrevê-los. Isso caberá possivelmente a um velho de barba grisalha, mais maduro e ciente do seu poder de colocar palavras na boca dos outros.
Para ele bastaria:"SIM, desejo adorar a quem escreveu este texto. Não enviarei dinheiro agora, apenas o meu amor servil de discipulo."

Digam-me que isto é uma montagem...
Quem é que me pôs à frente do blogue a estas horas?
Friday, July 20, 2007
10 razões para visitar o Aquário Vasco da Gama em vez do Oceanário.
2 - Só fui a um deles quando era criança.
3 - Ambos estão à beira-Tejo, mas enquanto o Oceanário pisca o olho ao Trancão, o Aquário tem o glamour da Ribeira da Cruz Quebrada.
4 - Qual deles tem mais tascas ao lado? A resposta é só uma.
5 - Os sites de apresentação:


Porque um querubim com os dentes tortos derrete muito mais corações do que um choco.
6 - A própria gestão da área circundante: no Dafundo, Vasco da Gama é um Aquário; no Parque das Nações é um Centro Comercial.
7 - Tudo muito bonito, natureza e tal. Mas em qual deles é que se pode dar de comer aos peixinhos da entrada?
8 - As siglas: AVG é o nome de um Antivirus de origem portuguesa, útil ferramenta para a protecção do sistema informático, com o bónus de ser de producção nacional; OLx (Oceanário de Lisboa) significa também Online Exchange, o site onde foi colocado para venda o bebé de Almargem do Bispo.
9 - O Oceanário tem o "Clube do Oceanário"; o Aquário tem um "Clube de Amigos".
10 - A força da marca e o eficiente Custo por Mil Contactos da sua comunicação: um tem de avançar com enormes projectos de parceria com canais estrangeiros, alienar activos (soltar Mantas Gigantes no Oceano); o outro é referido todos os dias na rádio, por alturas da hora de ponta (sentido Lisboa - Cascais).
Monday, June 25, 2007
3+1 = (4/2)^2
Tuesday, June 5, 2007
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De há uns meses para cá que sinto pressa, e na pressa meto-me no deitado bicho cinzento que não serpenteia. Disse por pressa, mas acho que essa fase já passou, e está agora mais no automatismo. Quando volto pelo mar é mau sinal, ou simplesmente sinal de que algo em mim precisa de ver mais do que rails e faróis de carros. O mar aparece-me assim nos espaços entre carros da hora-de-ponta, azul e da cor do Sol.
Ontem senti o apelo do mar. Não senti necessidade nenhuma da minha parte, mas apeteceu-me simplesmente completar o dia olhando para ele. Era tarde e não podia parar, apertar-lhe a mão ("andam a tirar-me tempo de ti"), dizer-lhe qualquer coisa e ele a mim.
Pus o The Field a tocar, com a música que me disse uma voz ser do Sol.
Lembrei-me e sorri da incongruência de ser eu e evoluir sendo eu: o miúdo que aos 10 anos adorava a praia, aos 14 fugia dela, e aos 15 não tirava a tshirt, apaixonou-se platónica e lentamente pelo mar aos 16 e aos 22 chorava de saudades dele e só dele... debruçava-me sempre do mesmo parapeito, onde se via o fim da cidade que era demasiado grande, e quase tentava adivinhar as ondas por detrás dos 650kms de montes à minha frente.
Todos os dias fazia isto, de todas as vezes que o sol se pôs eu impunha-me caminhar sozinho e vê-lo pousar no mar, como se não o pudesse fazer sem mim, como se eu o pudesse ver a ele.
O Sol foi o meu primeiro filho, que não adormecia sem que eu o visse deitar-se, sem que eu lhe apagasse a luz e lhe desse as boas noites.
Ontem o apelo do mar foi um bocado assim... chamou-me o lado paternal, queria ir deitar-se, queria ver-me. Não lhe expliquei que ao contrário do sol ele não dorme nunca. Há sempre costas para tocar, navios para levar a casa...
A hora de ponta tirou-me dele, afastou-me do abraço que lhe queria ter dado, da explicação que lhe era devida, porque um pai sussurra sempre uma resposta a um filho.
Olhei para ele até a última curva nos deixar de costas voltadas, cegos os dois um para o outro. Nesse momento ele adormeceu para mim e eu para ele.
Ele foi entregar os seus marinheiros, as suas tempestades, as chuvas que caem em ninguém.
Eu tive de resistir para não gritar "estou aqui!" ao dedo de azul que vejo entre prédios.