Monday, June 25, 2007
3+1 = (4/2)^2
A soma do primeiro número primo com o primeiro número impar é igual à metade do resultado elevada à potência dele mesmo dividida pelo primeiro número par inteiro superior a zero.
Tuesday, June 5, 2007
__
Todos os dias, quando volto de qualquer sítio onde vá mais por ter do que por querer, volto pela auto-estrada. Antes era diferente, deixava-me ir tranquilamente pela marginal, ou talvez não tão tranquilamente, mas marginal sempre. Por motivo nenhum, simplesmente era assim.
De há uns meses para cá que sinto pressa, e na pressa meto-me no deitado bicho cinzento que não serpenteia. Disse por pressa, mas acho que essa fase já passou, e está agora mais no automatismo. Quando volto pelo mar é mau sinal, ou simplesmente sinal de que algo em mim precisa de ver mais do que rails e faróis de carros. O mar aparece-me assim nos espaços entre carros da hora-de-ponta, azul e da cor do Sol.
Ontem senti o apelo do mar. Não senti necessidade nenhuma da minha parte, mas apeteceu-me simplesmente completar o dia olhando para ele. Era tarde e não podia parar, apertar-lhe a mão ("andam a tirar-me tempo de ti"), dizer-lhe qualquer coisa e ele a mim.
Pus o The Field a tocar, com a música que me disse uma voz ser do Sol.
Lembrei-me e sorri da incongruência de ser eu e evoluir sendo eu: o miúdo que aos 10 anos adorava a praia, aos 14 fugia dela, e aos 15 não tirava a tshirt, apaixonou-se platónica e lentamente pelo mar aos 16 e aos 22 chorava de saudades dele e só dele... debruçava-me sempre do mesmo parapeito, onde se via o fim da cidade que era demasiado grande, e quase tentava adivinhar as ondas por detrás dos 650kms de montes à minha frente.
Todos os dias fazia isto, de todas as vezes que o sol se pôs eu impunha-me caminhar sozinho e vê-lo pousar no mar, como se não o pudesse fazer sem mim, como se eu o pudesse ver a ele.
O Sol foi o meu primeiro filho, que não adormecia sem que eu o visse deitar-se, sem que eu lhe apagasse a luz e lhe desse as boas noites.
Ontem o apelo do mar foi um bocado assim... chamou-me o lado paternal, queria ir deitar-se, queria ver-me. Não lhe expliquei que ao contrário do sol ele não dorme nunca. Há sempre costas para tocar, navios para levar a casa...
A hora de ponta tirou-me dele, afastou-me do abraço que lhe queria ter dado, da explicação que lhe era devida, porque um pai sussurra sempre uma resposta a um filho.
Olhei para ele até a última curva nos deixar de costas voltadas, cegos os dois um para o outro. Nesse momento ele adormeceu para mim e eu para ele.
Ele foi entregar os seus marinheiros, as suas tempestades, as chuvas que caem em ninguém.
Eu tive de resistir para não gritar "estou aqui!" ao dedo de azul que vejo entre prédios.
De há uns meses para cá que sinto pressa, e na pressa meto-me no deitado bicho cinzento que não serpenteia. Disse por pressa, mas acho que essa fase já passou, e está agora mais no automatismo. Quando volto pelo mar é mau sinal, ou simplesmente sinal de que algo em mim precisa de ver mais do que rails e faróis de carros. O mar aparece-me assim nos espaços entre carros da hora-de-ponta, azul e da cor do Sol.
Ontem senti o apelo do mar. Não senti necessidade nenhuma da minha parte, mas apeteceu-me simplesmente completar o dia olhando para ele. Era tarde e não podia parar, apertar-lhe a mão ("andam a tirar-me tempo de ti"), dizer-lhe qualquer coisa e ele a mim.
Pus o The Field a tocar, com a música que me disse uma voz ser do Sol.
Lembrei-me e sorri da incongruência de ser eu e evoluir sendo eu: o miúdo que aos 10 anos adorava a praia, aos 14 fugia dela, e aos 15 não tirava a tshirt, apaixonou-se platónica e lentamente pelo mar aos 16 e aos 22 chorava de saudades dele e só dele... debruçava-me sempre do mesmo parapeito, onde se via o fim da cidade que era demasiado grande, e quase tentava adivinhar as ondas por detrás dos 650kms de montes à minha frente.
Todos os dias fazia isto, de todas as vezes que o sol se pôs eu impunha-me caminhar sozinho e vê-lo pousar no mar, como se não o pudesse fazer sem mim, como se eu o pudesse ver a ele.
O Sol foi o meu primeiro filho, que não adormecia sem que eu o visse deitar-se, sem que eu lhe apagasse a luz e lhe desse as boas noites.
Ontem o apelo do mar foi um bocado assim... chamou-me o lado paternal, queria ir deitar-se, queria ver-me. Não lhe expliquei que ao contrário do sol ele não dorme nunca. Há sempre costas para tocar, navios para levar a casa...
A hora de ponta tirou-me dele, afastou-me do abraço que lhe queria ter dado, da explicação que lhe era devida, porque um pai sussurra sempre uma resposta a um filho.
Olhei para ele até a última curva nos deixar de costas voltadas, cegos os dois um para o outro. Nesse momento ele adormeceu para mim e eu para ele.
Ele foi entregar os seus marinheiros, as suas tempestades, as chuvas que caem em ninguém.
Eu tive de resistir para não gritar "estou aqui!" ao dedo de azul que vejo entre prédios.
Sunday, May 27, 2007
Guardador de sapatos
Hoje, talvez porque me doessem os pés ou o sono que me dão os dias cinzentos, voltei a entrar na sapataria inexistente. Ao atravessar o limiar da porta, veio a senhora de sempre avisar-me que "se precisar de ajuda é só chamar".
Agradeci, e fui ver o que tinham exposto pela loja. Assim andei um bocado: vi sapatos para correr, para saltar, para ginástica, para ténis, para basket, para andar. Não, não era mesmo nada daquilo.
Chamei a senhora, ao que ela acudiu imediatamente com um sorridente "em que posso ajudar?"
Expliquei-lhe que achava todos aqueles sapatos muito bonitos, que a loja estava muito bem, mas que não era nada daquilo que eu procurava. Eu já tinha sapatos para tudo aquilo, e fora os guardados para os dias de sorrisos educadamente medidos e os de casamento, um par bastava-me. Com um total de três pares tinha conseguido fazer a festa nos últimos tempos.
Ela olhou-me com um ar meio expectante, calculei eu que por não saber então que me faltava.
Expliquei-lhe que andava à procura de mais sapatos para guardar. Que há muito que não guardava nenhuns e andava a fazer-me falta, não por qualquer situação em particular, mas pela sensação de vazio que sentia quando atravessava o sitio onde normalmente os guardo.
Ela voltou a pôr o seu ar profissional e guiou-me até uma outra sala.
Escolhi o par que mais me agradava. Outros se lhe seguirão.
Agradeci, e fui ver o que tinham exposto pela loja. Assim andei um bocado: vi sapatos para correr, para saltar, para ginástica, para ténis, para basket, para andar. Não, não era mesmo nada daquilo.
Chamei a senhora, ao que ela acudiu imediatamente com um sorridente "em que posso ajudar?"
Expliquei-lhe que achava todos aqueles sapatos muito bonitos, que a loja estava muito bem, mas que não era nada daquilo que eu procurava. Eu já tinha sapatos para tudo aquilo, e fora os guardados para os dias de sorrisos educadamente medidos e os de casamento, um par bastava-me. Com um total de três pares tinha conseguido fazer a festa nos últimos tempos.
Ela olhou-me com um ar meio expectante, calculei eu que por não saber então que me faltava.
Expliquei-lhe que andava à procura de mais sapatos para guardar. Que há muito que não guardava nenhuns e andava a fazer-me falta, não por qualquer situação em particular, mas pela sensação de vazio que sentia quando atravessava o sitio onde normalmente os guardo.
Ela voltou a pôr o seu ar profissional e guiou-me até uma outra sala.
Escolhi o par que mais me agradava. Outros se lhe seguirão.
Tuesday, May 8, 2007
Directamente da vida intima.
Nada de grandes verdades que alteram o movimento de rotação do mundo e derretem os pólos só com palavras.
Muito menos um daqueles enormes pensamentos que procuram alterar a forma de ver o mundo de todos aqueles que os lêem. Nada disso.
Só um pequeno desabafo:
Hoje ligaram-me de manhã. Uma entrevista, para um emprego. A minha primeira entrevista para um meu possivel primeiro emprego. Isto significa que finalmente alguém leu o Curriculum que resume as coisas que fiz pontecialmente interessantes para o público em geral. Esta pessoa não queria saber se eu subia às árvores em miúdo, se eu já andei de skate e se sim, quantas quedas dei.
Esta pessoa queria saber se daquela folha saltava algo que dissesse:
"Se investires dinheiro em mim, dar-te-ei mais a ganhar."
(Já cheira a grande verdade, a enorme pensamento.)
Só quero dizer isto:
Fica confirmado, a partir de hoje, que para além de bom em carne e osso, também sou bom no papel, mesmo que não tenha fotografia.
E para mim, isso chega e sobra para me deixar realizado a uma segunda-feira.
Muito menos um daqueles enormes pensamentos que procuram alterar a forma de ver o mundo de todos aqueles que os lêem. Nada disso.
Só um pequeno desabafo:
Hoje ligaram-me de manhã. Uma entrevista, para um emprego. A minha primeira entrevista para um meu possivel primeiro emprego. Isto significa que finalmente alguém leu o Curriculum que resume as coisas que fiz pontecialmente interessantes para o público em geral. Esta pessoa não queria saber se eu subia às árvores em miúdo, se eu já andei de skate e se sim, quantas quedas dei.
Esta pessoa queria saber se daquela folha saltava algo que dissesse:
"Se investires dinheiro em mim, dar-te-ei mais a ganhar."
(Já cheira a grande verdade, a enorme pensamento.)
Só quero dizer isto:
Fica confirmado, a partir de hoje, que para além de bom em carne e osso, também sou bom no papel, mesmo que não tenha fotografia.
E para mim, isso chega e sobra para me deixar realizado a uma segunda-feira.
Thursday, April 26, 2007
Um retrato.
As ruas são o seu principal passatempo. Passeia-se por elas e observa a toda a sua volta. Sempre viveu na cidade, e se pensou por um momento na possibilidade de ir viver onde se vive o mar, ou o campo ou a serra, passou-lhe o pensamento num momento também.
Acha que a humanidade é a prova viva da existência de Deus, pois ambos são exactamente a mesma coisa. O Homem criou monstros que verga ao seu poder de Pai e Criador, habita neles, voa neles.
Gosta de prédios. Nos seus passeios pelas ruas observa-os, fala com eles, segreda-lhes ao ouvido que eles não têm. Diz-lhes que os ama, que os quer, que são eles que fazem a cidade ser assim deliciosamente castradora, no seu abraço de que ele não consegue fugir.
Encantam-no sobretudo os prédios que se escondem por detrás das estruturas metálicas. Os andaimes, expressão que ele odeia por ser simplista, suja. Secretamente chama-lhe roupas.
À noite, quando os carros se reduzem a massas rápidas e sussurrantes que passam sem olhar, ele pode ficar a sós com os edificios que lhe prenderam o olhar e lhe roubaram os suspiros durante o dia.
Escolhe os que têm estruturas exteriores e sobe-as. Consegue fazê-lo com o silêncio de quem ama em segredo durante a noite. Lá no alto sente-se seguro nos braços dos gigantes e descansa como não pode durante o dia. Volta a repetir as palavras que disse à luz do Sol e sente no vento frio das ruas iluminadas por candeeiros dispersos o sorriso do seu amado.
Uma mulher, um homem, são objectos demasiado pequenos para poderem ser objectos de amor. À grandeza do Amor, ele celebra-a assim, à frente da janela, à frente do vidro que o afastaria do Mundo.
Assim, escondido do lado onde cai a sombra durante o dia, respira fundo e sente-se feliz nos braços do monstro de cimento, que sem pernas não pode fugir.
Acha que a humanidade é a prova viva da existência de Deus, pois ambos são exactamente a mesma coisa. O Homem criou monstros que verga ao seu poder de Pai e Criador, habita neles, voa neles.
Gosta de prédios. Nos seus passeios pelas ruas observa-os, fala com eles, segreda-lhes ao ouvido que eles não têm. Diz-lhes que os ama, que os quer, que são eles que fazem a cidade ser assim deliciosamente castradora, no seu abraço de que ele não consegue fugir.
Encantam-no sobretudo os prédios que se escondem por detrás das estruturas metálicas. Os andaimes, expressão que ele odeia por ser simplista, suja. Secretamente chama-lhe roupas.
À noite, quando os carros se reduzem a massas rápidas e sussurrantes que passam sem olhar, ele pode ficar a sós com os edificios que lhe prenderam o olhar e lhe roubaram os suspiros durante o dia.
Escolhe os que têm estruturas exteriores e sobe-as. Consegue fazê-lo com o silêncio de quem ama em segredo durante a noite. Lá no alto sente-se seguro nos braços dos gigantes e descansa como não pode durante o dia. Volta a repetir as palavras que disse à luz do Sol e sente no vento frio das ruas iluminadas por candeeiros dispersos o sorriso do seu amado.
Uma mulher, um homem, são objectos demasiado pequenos para poderem ser objectos de amor. À grandeza do Amor, ele celebra-a assim, à frente da janela, à frente do vidro que o afastaria do Mundo.
Assim, escondido do lado onde cai a sombra durante o dia, respira fundo e sente-se feliz nos braços do monstro de cimento, que sem pernas não pode fugir.
Este grito não é de guerra (esboço e súmula)
Esboço:
"Andam a encher-me os ouvidos de ti. Dizem-me que fizeste o mesmo que os outros. Não sei, talvez te guarde um "também tu" como o personagem antes de morrer.
Há voltas ao Mundo nos pés e nas mãos que são um autêntico desperdicio. Fazem lembrar o Shoko Azahara (que agora notei que tem um nome que podia ser uma marca de chocolates), acho que era assim o nome dele, que era gordo, cabeludo, e barbudo e dizia que em meditação levitava até à Lua. No entanto nunca saía da cela da prisão, a ela confinado por ter morto dezenas de pessoas com gás.
Mesmo pessoas sem poderes meditativos fazem voltas ao mundo e voltam iguais, sem se terem movido. E continuam sem compreender a essência de uma conversa entre dois desconhecidos.
Ver tudo do Mundo inteiro e voltar sem um sorriso para um estranho não é de gente humana, mas sim do bicho-Homem. Essas pessoas são as mesmas que vêem nas prisões um depósito de massa que convem esquecer. Não se pode dar calor a quem falha, a quem vai voltar a falhar? Não se pode ter um gesto de pessoa?
Uma temporada no sofá é um analgésico poderoso e, a meu ver, insuficientemente receitado.
Mas e tu?
E se me desiludires? Se me tiveres mentido assim, rido de mim no silêncio dos teus pensamentos, na lingua que é só tua, como eu tenho a minha, que só o que me anima compreende?
Será então tão minha a culpa quanto tua, terei esbanjado o sorriso guardado em ti.
Mas nada diz que só guardo um.
Súmula:
No meio disto tudo, talvez ele tenha razão, afinal.
Se calhar deviamos ser todos perfeitos.
Ao fim de 10 anos o imperfeito seria exótico. 30 anos depois seria finalmente belo."
Sabão.
"Andam a encher-me os ouvidos de ti. Dizem-me que fizeste o mesmo que os outros. Não sei, talvez te guarde um "também tu" como o personagem antes de morrer.
Há voltas ao Mundo nos pés e nas mãos que são um autêntico desperdicio. Fazem lembrar o Shoko Azahara (que agora notei que tem um nome que podia ser uma marca de chocolates), acho que era assim o nome dele, que era gordo, cabeludo, e barbudo e dizia que em meditação levitava até à Lua. No entanto nunca saía da cela da prisão, a ela confinado por ter morto dezenas de pessoas com gás.
Mesmo pessoas sem poderes meditativos fazem voltas ao mundo e voltam iguais, sem se terem movido. E continuam sem compreender a essência de uma conversa entre dois desconhecidos.
Ver tudo do Mundo inteiro e voltar sem um sorriso para um estranho não é de gente humana, mas sim do bicho-Homem. Essas pessoas são as mesmas que vêem nas prisões um depósito de massa que convem esquecer. Não se pode dar calor a quem falha, a quem vai voltar a falhar? Não se pode ter um gesto de pessoa?
Uma temporada no sofá é um analgésico poderoso e, a meu ver, insuficientemente receitado.
Mas e tu?
E se me desiludires? Se me tiveres mentido assim, rido de mim no silêncio dos teus pensamentos, na lingua que é só tua, como eu tenho a minha, que só o que me anima compreende?
Será então tão minha a culpa quanto tua, terei esbanjado o sorriso guardado em ti.
Mas nada diz que só guardo um.
Súmula:
No meio disto tudo, talvez ele tenha razão, afinal.
Se calhar deviamos ser todos perfeitos.
Ao fim de 10 anos o imperfeito seria exótico. 30 anos depois seria finalmente belo."
Sabão.
Friday, April 20, 2007
Teoria das Idades - a recuperação.
Sempre achei curioso o facto de o meu aniversário, tal como todos os outros dias do mês, se movimentar ao mesmo ritmo ao longo da semana. Este ano calhou numa sexta, para o ano calha num sábado, e assim por diante. Nos anos bissextos, o dia da semana não muda.
É claro que isto tem uma simples explicação matemática, tal como é claro que este dilema é daquele género que assalta qualquer pessoa que começa a usar minimamente os neurónios de uma forma inventiva, o que acontece ainda em criança.
Mas esqueçamos isso.
A ideia é passar a contar a idade das pessoas pelo movimento dos dias do seu aniversário.
Um exemplo:
A criança X (raio de nome para uma criança) nasceu na quinta-feira, 19 de Maio de 2005.
O primeiro aniversário da criança X será na sexta-feira, 19 de Maio de 2006.
Assim, em vez de dizermos "X faz um ano, que lindo.", dizemos "X tem um dia, que amoroso."
À luz desta nova abordagem, o termo aniversário perderá o sentido, uma vez que não é de anos que estamos a falar. Quanto muito poderá falar-se de "regresso ao dia de nascimento" o que dá até um ar um pouco divino à coisa.
A vida passará então a ser contada não em anos, mas em dias ou semanas.
Se as vantagens podem não ser obvias considerando crianças, tomemos em linha de conta alguns exemplos:
- O Francisquinho tem uma semana.
- Um cantora pop tem três semanas (e não mais)
- A avó faz amanhã dois meses. (nas avós é permitido o recurso aos meses, já que podem não se sentir confortáveis com os números grandes, que poderiam ser interpretados como sinónimos de velhice).
Uma vez que a sociedade ocidental gosta de números ditos "redondos", a importância dos aniversários clássicos (16, 18, 21, 50, 100) seria transferida para outras datas na nova nomenclatura:
- 1, 2, 3 semanas.
- 1, 2, 3... meses.
Isto acarretará, necessariamente, alterações à sociedade de consumo, uma vez que o ritmo de compra se modificará mediante a relativização da importância das anteriores idades-chave.
Os anos bissextos, ao manterem a posição das datas nas semanas na maior parte dos dias do ano, deverão ser considerados uma benesse da ciência no sentido da eterna juventude. A fonte está claramente seca, mas como se pode ver, há pequenas consolações.
A esfera de influência, o raio de acção desta nova abordagem, chega também a outras àreas, como por exemplo, o cinema.
O filme 9 semanas e meia, protagonizado por Kim basinger e Mickey Rourke em 1986 é disso o exemplo mais flagrante.
Repare-se:
Nove semanas e meia correspondem a 66.5 dias. Procedemos ao arredondamento para 67 dias.
Contemos agora com os anos bissextos:
O primeiro que temos antes de 1986 foi 1984. Aos 65 dias, portanto.
65/4 é aproximadamente igual a 16. Ou seja, ao longo das nove semanas e meia, houve 16 anos bissextos.
Portanto, devemos acrescentar 16 anos aos 67 do titulo do filme, ou seja, 83.
1986 - 83 = 1903
Factos relevantes que tiveram lugar em 1903:
O primeiro espectáculo de moda americano (Nova Iorque)
Foi comercializado o primeiro pacote de férias na neve (Adelboden - Suiça)
O primeiro torneio internacional de Ténis na Hungria (ganho pelo britânico J. G Ritchie)
A relevância de todos estes eventos, aos quais o filme faz uma velada homenagem, ajudam a explicar o porquê da falta de qualidade a variadissimos niveis, o que faz com que o filme seja apenas recordado por causa de um senhor barbudo que canta uma música sobre chapéus.
E pouco mais.
(Fora anos bissextos, o senhor barbudo afirma ter cerca de oito semanas e seis dias. A caminho das nove semanas e meia, portanto..)
É claro que isto tem uma simples explicação matemática, tal como é claro que este dilema é daquele género que assalta qualquer pessoa que começa a usar minimamente os neurónios de uma forma inventiva, o que acontece ainda em criança.
Mas esqueçamos isso.
A ideia é passar a contar a idade das pessoas pelo movimento dos dias do seu aniversário.
Um exemplo:
A criança X (raio de nome para uma criança) nasceu na quinta-feira, 19 de Maio de 2005.
O primeiro aniversário da criança X será na sexta-feira, 19 de Maio de 2006.
Assim, em vez de dizermos "X faz um ano, que lindo.", dizemos "X tem um dia, que amoroso."
À luz desta nova abordagem, o termo aniversário perderá o sentido, uma vez que não é de anos que estamos a falar. Quanto muito poderá falar-se de "regresso ao dia de nascimento" o que dá até um ar um pouco divino à coisa.
A vida passará então a ser contada não em anos, mas em dias ou semanas.
Se as vantagens podem não ser obvias considerando crianças, tomemos em linha de conta alguns exemplos:
- O Francisquinho tem uma semana.
- Um cantora pop tem três semanas (e não mais)
- A avó faz amanhã dois meses. (nas avós é permitido o recurso aos meses, já que podem não se sentir confortáveis com os números grandes, que poderiam ser interpretados como sinónimos de velhice).
Uma vez que a sociedade ocidental gosta de números ditos "redondos", a importância dos aniversários clássicos (16, 18, 21, 50, 100) seria transferida para outras datas na nova nomenclatura:
- 1, 2, 3 semanas.
- 1, 2, 3... meses.
Isto acarretará, necessariamente, alterações à sociedade de consumo, uma vez que o ritmo de compra se modificará mediante a relativização da importância das anteriores idades-chave.
Os anos bissextos, ao manterem a posição das datas nas semanas na maior parte dos dias do ano, deverão ser considerados uma benesse da ciência no sentido da eterna juventude. A fonte está claramente seca, mas como se pode ver, há pequenas consolações.
A esfera de influência, o raio de acção desta nova abordagem, chega também a outras àreas, como por exemplo, o cinema.
O filme 9 semanas e meia, protagonizado por Kim basinger e Mickey Rourke em 1986 é disso o exemplo mais flagrante.
Repare-se:
Nove semanas e meia correspondem a 66.5 dias. Procedemos ao arredondamento para 67 dias.
Contemos agora com os anos bissextos:
O primeiro que temos antes de 1986 foi 1984. Aos 65 dias, portanto.
65/4 é aproximadamente igual a 16. Ou seja, ao longo das nove semanas e meia, houve 16 anos bissextos.
Portanto, devemos acrescentar 16 anos aos 67 do titulo do filme, ou seja, 83.
1986 - 83 = 1903
Factos relevantes que tiveram lugar em 1903:
O primeiro espectáculo de moda americano (Nova Iorque)
Foi comercializado o primeiro pacote de férias na neve (Adelboden - Suiça)
O primeiro torneio internacional de Ténis na Hungria (ganho pelo britânico J. G Ritchie)
A relevância de todos estes eventos, aos quais o filme faz uma velada homenagem, ajudam a explicar o porquê da falta de qualidade a variadissimos niveis, o que faz com que o filme seja apenas recordado por causa de um senhor barbudo que canta uma música sobre chapéus.
E pouco mais.
(Fora anos bissextos, o senhor barbudo afirma ter cerca de oito semanas e seis dias. A caminho das nove semanas e meia, portanto..)
Thursday, April 19, 2007
Hipotéticamente político.
Se eu tivesse começado um blog há pouco, recusar-me-ia a comentar assuntos claramente políticos.
Se eu fosse essa pessoa, não gostaria de ter nada de "claro" no meu blog, porque o "claro" seria de uma análise demasiadamente imediata para o meu gosto.
Por outro lado;
Se por um qualquer acaso eu tivesse ouvido que numa operação policial se prenderam dezenas de "alegados" (sempre "alegados" - a constituição a isso obriga) membros de movimentos de extrema-direita,
Se, nessa circunstância, eu tivesse ouvido na rádio o líder do auto-proclamado partido de extrema-direita português dizer, em voz lamuriosa, algo deste género:
"Já tomei conhecimento do que se está a passar... a mim parece-me um caso claro de perseguição política..."
Se, este homem fosse o mesmo que aquele que num grande cartaz numa ainda maior rotunda reclamava a expulsão de imigrantes;
Se o partido por ele dirigido contasse entre as suas propostas de acção com coisas como saneamento político, étnico, etc..
Se isso acontecesse, e só se isso acontecesse,
Então sim, eu poderia escrever isto:
Se o ridiculo matasse...
Se eu fosse essa pessoa, não gostaria de ter nada de "claro" no meu blog, porque o "claro" seria de uma análise demasiadamente imediata para o meu gosto.
Por outro lado;
Se por um qualquer acaso eu tivesse ouvido que numa operação policial se prenderam dezenas de "alegados" (sempre "alegados" - a constituição a isso obriga) membros de movimentos de extrema-direita,
Se, nessa circunstância, eu tivesse ouvido na rádio o líder do auto-proclamado partido de extrema-direita português dizer, em voz lamuriosa, algo deste género:
"Já tomei conhecimento do que se está a passar... a mim parece-me um caso claro de perseguição política..."
Se, este homem fosse o mesmo que aquele que num grande cartaz numa ainda maior rotunda reclamava a expulsão de imigrantes;
Se o partido por ele dirigido contasse entre as suas propostas de acção com coisas como saneamento político, étnico, etc..
Se isso acontecesse, e só se isso acontecesse,
Então sim, eu poderia escrever isto:
Se o ridiculo matasse...
Wednesday, April 18, 2007
Paralela da Avenida (por Sabão)
"Dá gosto ver-te essa cara, esse sorriso espontâneo que te saltou apenas de uma pergunta. Fica-te bem o ar sonhador, no meio dos carros todos, mais arrumados hoje do que em qualquer outro dia.
Valeu a pena passar por ali, apertar-te a mão, conversar contigo e ver-te assim mais novo do que diferente.
Ela fica-te bem nos olhos, nos gestos, no brilho.
Um abraço e boa sorte.
Sabão"
Valeu a pena passar por ali, apertar-te a mão, conversar contigo e ver-te assim mais novo do que diferente.
Ela fica-te bem nos olhos, nos gestos, no brilho.
Um abraço e boa sorte.
Sabão"
Tuesday, April 17, 2007
A Sociedade da Informação
Não me levem a mal, eu gosto da sociedade da Informação. Gosto. Mas ela às vezes presenteia-me com dados que eu, realmente, dispensava.
Este senhor decidiu dar uma belissima entrevista a um semanário de desportos motorizados. Teve uma grande atitude. Como ele diz e muito bem, na última resposta que dá na entrevista "(os jornalistas) quando não me fazem perguntas destas, são porreiros".
Tenho a certeza que o senhor também é um tipo porreiro, mas permito-me confessar que fico contente por não termos sido vizinhos nos 70's.
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